Perceber-fazer florestas com mesas de trabalho em tempos de ruínas e precariedades

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/1414573101572026e0303

Palavras-chave:

mesa de trabalho, floresta, divulgação científica e cultural, artes multiespécies, precariedade

Resumo

Em tempos de ruínas e precariedades (Tsing, 2019, 2022), busca-se percorrer um caminho fabulativo com as “mesas de trabalho”, um dispositivo de criação artística coletiva que deseja perceber-fazer floresta ao se inventar em companhias com os seres mais que humanos, como aves, vírus, plantas e sapos. Dedicou-se a pensar com quatro mesas de trabalho que aconteceram durante uma residência artística e mostrar como tais relações com espécies companheiras (Haraway, 2021, 2022) favorecem a ativação e engajamento dos corpos (Greiner, 2017) em simbioses, em performances multiespécies. As mesas pressupõem a florestania (Krenak, 2022) como gesto político diante do Antropoceno.  

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Biografia do Autor

Susana Oliveira Dias, Universidade Estadual de Campinas

Pós-doutorado em artes pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Doutorado e Mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Pesquisadora (PqA) do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp. Especialização em Jornalismo Científico pela Unicamp. Graduação em Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). 

Tiago Amaral Sales, Universidade Federal de Uberlândia

Pós-doutorado em Divulgação Científica e Cultural pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Doutorado e Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Bacharelado e Licenciatura em Ciências Biológicas pela UFU. Professor nos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas (ICENP) e nos Programas de Pós-Graduação em Educação (PPGED) e em Educação Básica (PPGPEDU) da UFU.

Emanuely Miranda , Universidade Estadual de Campinas

Mestrado em Divulgação Científica e Cultural pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Graduação em Jornalismo pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP). Faz parte do Grupo de pesquisa multiTÃO, da revista ClimaCom, da Rede Latino-americana de Divulgação Científica e Mudanças Climáticas e do Laboratório de Mídias Digitais e Internet. 

Mariana Vilela , Universidade Estadual de Campinas

Mestrado em Divulgação Científica e Cultural pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Bacharelado em Letras (FSB). Formação técnica em teatro pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Participa do grupo de pesquisa multiTÃO: prolifer-artes sub-vertendo ciências educações e comunicações (CNPq-Labjor-Unicamp) e faz parte da Rede Latino-americana de Divulgação Científica e Mudanças Climáticas do INCT. 

Larissa de Souza Bellini , Universidade Estadual de Campinas

Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Faz parte do Grupo de pesquisa multiTÃO, da revista ClimaCom e da Rede Latino-americana de Divulgação Científica e Mudanças Climáticas do INCT.

Natália Aranha , Universidade Estadual de Campinas

Doutoranda em Ecologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde desenvolve pesquisas sobre coloração e comportamento em anfíbios anuros. Mestrado em Divulgação Científica e Cultural pelo Labjor-IEL-Unicamp. Bióloga com bacharelado em Meio Ambiente e Biodiversidade pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Campus Jaboticabal.

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Publicado

29-04-2026

Como Citar

DIAS, Susana Oliveira; SALES, Tiago Amaral; MIRANDA , Emanuely; VILELA , Mariana; BELLINI , Larissa de Souza; ARANHA , Natália. Perceber-fazer florestas com mesas de trabalho em tempos de ruínas e precariedades. Urdimento - Revista de Estudos em Artes Cênicas, Florianópolis, v. 1, n. 57, p. 1–34, 2026. DOI: 10.5965/1414573101572026e0303. Disponível em: https://www.revistas.udesc.br/index.php/urdimento/article/view/27890. Acesso em: 30 abr. 2026.

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