O atelier como território de escuta e de pensamento cromático: Reflexões teórico-práticas sobre a cor e o atelier enquanto lugar de reinscrição simbólica
DOI:
https://doi.org/10.5965/244712671212026e28061Palavras-chave:
Atelier, Cromatismo rosa, Pensamento visual, Memória, Reinscrição simbólicaResumo
O presente artigo reflete sobre o processo artístico em curso no âmbito da investigação intitulada Kairos Babel, integrada no Doutoramento em Pintura da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Centrado na prática artística, o estudo aborda o atelier como território de escuta e de pensamento cromático, no qual o gesto, a cor e a matéria se articulam como modos de conhecimento. Partindo da observação empírica do espaço de trabalho - considerado simultaneamente lugar físico e dispositivo conceptual -, a investigação analisa de que forma as condições cromáticas, materiais e simbólicas do atelier interferem na construção da imagem e na experiência percetiva. Apoiada em referenciais teóricos como Josef Albers, Norman Bryson, Barbara Bolt e Merleau-Ponty, a reflexão propõe o atelier como um campo performativo de aprendizagem sensível, onde o saber resulta da ação e do erro. O texto analisa ainda o uso do rosa como eixo cromático e simbólico, relacionando-o com os conceitos de poiesis, “não-lugar” e reinscrição simbólica. Assim, defende-se que a prática pictórica, ao conjugar experiência, memória, matéria e cor, constitui um modo de reinscrição identitária e de pensamento visual situado.
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