O atelier como território de escuta e de pensamento cromático: Reflexões teórico-práticas sobre a cor e o atelier enquanto lugar de reinscrição simbólica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/244712671212026e28061

Palavras-chave:

Atelier, Cromatismo rosa, Pensamento visual, Memória, Reinscrição simbólica

Resumo

O presente artigo reflete sobre o processo artístico em curso no âmbito da investigação intitulada Kairos Babel, integrada no Doutoramento em Pintura da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Centrado na prática artística, o estudo aborda o atelier como território de escuta e de pensamento cromático, no qual o gesto, a cor e a matéria se articulam como modos de conhecimento. Partindo da observação empírica do espaço de trabalho - considerado simultaneamente lugar físico e dispositivo conceptual -, a investigação analisa de que forma as condições cromáticas, materiais e simbólicas do atelier interferem na construção da imagem e na experiência percetiva. Apoiada em referenciais teóricos como Josef Albers, Norman Bryson, Barbara Bolt e Merleau-Ponty, a reflexão propõe o atelier como um campo performativo de aprendizagem sensível, onde o saber resulta da ação e do erro. O texto analisa ainda o uso do rosa como eixo cromático e simbólico, relacionando-o com os conceitos de poiesis, “não-lugar” e reinscrição simbólica. Assim, defende-se que a prática pictórica, ao conjugar experiência, memória, matéria e cor, constitui um modo de reinscrição identitária e de pensamento visual situado.

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Biografia do Autor

Vera Fonseca, Faculdade de Belas-Artes. Universidade de Lisboa

Vera Fonseca (Tallinn, Estónia) vive em Portugal desde 2003. É licenciada em Artes Plásticas – Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2014), licenciada em Ciências Psicológicas (2021) e mestre em Psicologia Clínica e da Saúde – especialidade Psicologia Clínica Dinâmica (2023) pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. Frequenta o Doutoramento em Belas-Artes – Pintura na FBAUL e é investigadora colaboradora do CIEBA. Desde 2014, desenvolve um percurso artístico contínuo, com exposições individuais e coletivas em Portugal, destacando-se FABLAB – Protocolo Experimental (Museu Nacional de Tapeçaria de Portalegre, 2014), Semi-Automatic Sweet(Galeria António Prates, 2015), A Arte Chegou ao Colombo (MNAC, 2025) e a Bienal Internacional de Arte de Gaia(2025). É finalista da 1.ª Edição do Prémio Tapeçaria de Portalegre (2024–2025) e prepara uma exposição individual no MU.SA – Museu das Artes de Sintra (2025).

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Publicado

12-05-2026

Como Citar

FONSECA, Vera. O atelier como território de escuta e de pensamento cromático: Reflexões teórico-práticas sobre a cor e o atelier enquanto lugar de reinscrição simbólica. Revista Apotheke, Florianópolis, v. 12, n. 1, 2026. DOI: 10.5965/244712671212026e28061. Disponível em: https://www.revistas.udesc.br/index.php/apotheke/article/view/28061. Acesso em: 13 maio. 2026.