Chamada para Terras e paletas brasileiras - dossier Colóquio Minas Gerais

2026-01-28

Palíndromo v. 18 n.  45 – jun. 2026- set. - 2026

Terras e paletas brasileiras - dossier Colóquio Minas Gerais

Organização: 

Camila Moreira (UFMG-Brasil) 

Jociele Lampert (UDESC-Brasil) 

Marco Giannotti (ECA-USP-Brasil)

Data limite para submissões: 15/04/2026

 

 

«La couleur est l'endroit où notre cerveau et l'univers se rencontrent.» 

A cor é o lugar onde nosso cérebro e o universo se encontram.

Cézanne

 –  Tenho  estes  pigmentos  aqui  no  ateliê,  você  vai  ver. Colhi quando eu consegui entrar na Vale do Rio Doce. A primeira parte da  mina  de  ferro  é  pigmento,  que  é  rejeitada,  por  conta  da  escala  da produção  da  mineradora.  Eles  não  têm  como  classificar  e  jogar  fora  separadamente, o que seria ótimo para nós artistas. Acho inclusive que tem uma certa bobagem, um desperdício, porque poderia ser feita uma palheta brasileira. Vou te mostrar, eu fiz uns lápis de cor com pigmento que se chama uma palheta brasileira. (Vergara 27, ARS, ano 12, n. 23)

 

Convidamos artistas, professores e investigadores/pesquisadores para publicar seus textos na Revista Palíndromo do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade do Estado de Santa Catarina - Brasil, para consolidarem suas reflexões acerca do tema Terras e palhetas brasileiras, com chamada aberta até abril de 2026. Parte dessa chamada também acolherá textos com reflexões à partir do Colóquio SOBRE A COR - À PROPOS DE LA COULEUR I ABOUT COLOR - Colóquio Internacional I Colloque Internationale, que será realizado em março de 2026, na Escola de Belas Artes - Universidade Federal de Minas Gerais. O colóquio é uma articulação entre as universidades UFMG, a ECA - USP e a UDESC, em um desafio que reúne pesquisa, ensino e extensão no contexto acadêmico das instituições  brasileiras, além de contribuições de outras instituições exteriores   sobre o estudo da COR nas artes visuais. A proposta do colóquio deseja  somar a esta chamada para publicação, tornando-se um convite aos interessados em refletir sobre o tema de nosso interesse.

 

A cor como objeto de estudo estruturado no Brasil é ainda pouco difundida no contexto acadêmico. Entender o fenômeno cromático hoje implica em considerarmos suas dimensões políticas, artísticas, discursivas e educativas. A cor é parte indissociável do mundo, da natureza, da arquitetura,de tudo que nos circunda dia a dia. Sua percepção não ocorre de modo fixo, ela traz marcas de cada época e contextos socioculturais, bem como, das revoluções tecnológicas. 

 

Neste sentido, as reflexões sobre a cor remete o olhar sobre o tempo e o espaço, sobre o corpo da cor no sentido físico ou químico, bem como, apresenta discussões acerca do território da linguagem e da técnica. A ideia de transcendência e imanência da cor, que cria um espaço imaginário em contraponto ao espaço concreto da colagem pautado na superfície, agrega ao contexto destas investigações um amplo universo de escolhas investigativas para os estudos visuais.

 

Assim, nos questionamos: e se tudo o que vemos não fosse real, apenas corpos, formas, de cores cinzas e pretas, ou sem cor? Como podemos pensar nossa sociedade contemporânea tão exacerbada de imagens, tecnologias digitais, corpos virtuais e realidades imaginárias sem as cores? A cor é um lugar onde as realidades se encontram com nossa consciência, ou onde o visível se aproxima de nossa matéria. 

 

Pensar, narrar, discutir, pesquisar, analisar e contemplar a cor e suas inúmeras possibilidades interdisciplinares, norteiam este volume temático. Como suas definições e adjacências podem compor, dentro de uma realidade um discurso plausível, que tragam investigações no contexto contemporâneo? As transformações tecnológicas mudaram radicalmente o processo de fabricação de tintas e impressão, criando novas cores.  O pigmento extraído da  terra  é refabricado até se transformar em um tubo de tinta, que ao ser transposto para uma pintura, e então, ser fotografado, pode virar um pixel nas novas vertentes tecnológicas contemporâneas.

 

Diante de tantas questões, propomos refletir a cor na sua singularidade brasileira. O Brasil, que traz consigo a cor do pau Brasil desde a colônia, trouxe por exemplo, de maneira concomitante ao mundo ocidental, a riqueza da cerâmica marajoara dos povos originários. Ao longo de sua história, nosso país recebeu várias missões com suas culturas e paletas específicas. Ao mesmo tempo, a escravidão e a imigração também fizeram parte da nossa cultura material e visual, ao somar as nossas raizes cores e culturas de povos que aqui chegaram.

 

Nesse sentido a chamada “Terras e paletas brasileiras" apresenta como fio norteador a escrita os seguintes temas, que poderão ser ampliados e conduzidos pelos autores de forma livre:

*Como podemos pensar a cor e suas tecnologias no contexto contemporâneo? 

*A cor, a história da cor e suas aplicações são ainda temas de discussão para artistas e pesquisadores. Como se inscreve na história suas transdisciplinaridades e particularidades face ao sincretismo cromático?

*Como podemos falar da cor na pintura, no desenho, na gravura, no ensino de artes visuais sob a ótica das novas tecnologias?

*Cor-tempo, cor-memoria, cor-luz, cor-matéria, cor-corpo, cor-discurso, cor como linguagem e como técnica. Cor como pensamento.