“Quem sobe nos ares não fica no chão, quem fica no chão não sobe nos ares”: o currículo habitado pela indecidibilidade e pela alteridade
DOI:
https://doi.org/10.5965/1984723827642026127Palavras-chave:
currículo, desconstrução, différance, alteridade, indecidibilidadeResumo
O presente texto se insere no campo do currículo, explorando suas relações com a indecidibilidade e alteridade a partir da perspectiva desconstrucionista dos escritos de Jacques Derrida. Propomos pensar o currículo como um campo vivo, plural e aberto, no qual a decisão nunca é pura ou definitiva, mas sempre marcada pela indecidibilidade, pela alteridade e pela différance — conceitos derridianos que indicam a responsabilidade interpretativa, a valorização da relação e do encontro e a impossibilidade de uma significação final do currículo. Assim, objetivamos discutir o currículo em diálogo com a desconstrução e, para isso, compomos traços de indecidíveis como alteridade e différance para compreendermos o currículo como aberto ao outro que denuncia a presença sempre ausente de um sentido último, único, melhor ou por fim. Registramos ainda, os desafios teórico-metodológicos de trabalhar essa perspectiva no campo do currículo e apresentamos como esse movimento pode ser pensado dentro de um debate que desafia uma essência fixa. A desconstrução, ao questionar a metafísica da presença e as hierarquias, permite uma leitura aberta, responsiva e ética do currículo, em que o outro é reconhecido como uma alteridade irredutível. Assim, o currículo se torna um espaço de reinvenção constante, marcado pelo movimento de tradução, suplementação e adiamento de sentidos, que favorece uma prática pedagógica mais democrática, inclusiva e sensível às diferenças.
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