Análise sobre a formação inicial dos professores de Física e Química com as Tecnologias Digitais no Centro de Formação
DOI:
https://doi.org/10.5965/1984723827642026263Palavras-chave:
formação de professoras, educação em ciências, tecnologias digitais, teoria critica da tecnologiaResumo
Esta pesquisa fundamentou-se em discussões sobre as tecnologias digitais (TD) e a formação de professores. O objetivo deste trabalho foi analisar como as TD estão presentes nos cursos de licenciatura em Física e Química, de uma universidade pública, em um município do nordeste brasileiro. A metodologia seguiu os parâmetros da pesquisa qualitativa, em que se utilizou a análise dos projetos pedagógicos dos cursos (PPC), matrizes curriculares e ementários dos componentes curriculares dos cursos mencionados. O referencial teórico está embasado na teoria crítica da tecnologia de Andrew Feenberg (2002; 2004), em que, para o autor, a tecnologia pode ser entendida como não neutra, podendo ser influenciada por aspectos econômicos e sociais. Os documentos foram analisados, por meio da análise textual discursiva de Moraes e Galiazzi (2020). Em todos os documentos, verificou-se que as prevalências das concepções de tecnologia estão relacionadas, principalmente, ao conjunto de técnicas. Os resultados evidenciaram que os projetos pedagógicos dos cursos apropriam-se dos fundamentos conceituais da tecnologia, em que as visões instrumental e determinista estão caracterizadas tanto nos documentos do curso de licenciatura em Química quanto nos documentos do curso de licenciatura em Física, porém, nos documentos da licenciatura em Química, existe uma disciplina referente aos estudos da Ciência-Tecnologia e Sociedade, o que caracteriza uma aproximação aos estudos da teoria crítica da tecnologia.
Downloads
Referências
ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de. Prefácio. In: COSTA, F. A. et al. (org.). Repensar as TDIC na educação: o professor como agente transformador. Carnaxide: Santillna, 2012. 146 p.
BARBETTA, Pedro Alberto. Estatística aplicada às ciências sociais. 7. ed. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2010.
BIP - Barómetro para a Qualidade da Informação. Avaliar a qualidade da informação: referencial teórico-metodológico. Braga, Portugal: Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho Online, 12 mar. 2025. Disponível em: https://www.cecs.uminho.pt/wp-content/uploads/2025/03/ebook_barometro_publicar2-.pdf. Acesso em: 25 jan. 2026.
BRASIL. Ministério da Educação. Decreto-Lei n° 19.851, de 11 de abril de 1931. Dispõe sobre a organização do Ensino Superior. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, Seção 1, p. 5800, 15 abr. 1931. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1930-1939/decreto-19851-11-abril-1931-505837-publicacaooriginal-1-pe.html. Acesso em: 29 jan. 2026.
BRASIL. Decreto-Lei nº 1.190, de 04 de abril de 1939. Dá organização à Faculdade Nacional de Filosofia. Rio de Janeiro: Presidência da República, 1939. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1930-1939/decreto-lei-1190-4-abril-1939-349241-publicacaooriginal-1-pe.html. Acesso em: 25 jan. 2026.
BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Censo da Educação Básica 2020: resumo técnico. Brasília, DF: INEP, 2021.
BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Indicadores de Fluxo da Educação Superior. Brasília, DF: INEP, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertos/indicadores-educacionais/indicadores-de-fluxo-da-educacao-superior. Acesso em: 27 jan. 2026.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Proposta de Diretrizes para a formação inicial de professores da educação básica, em cursos de nível superior. Brasília, DF: CNE, maio 2000.
BOSCARIOLI, Clodis. Educação com tecnologias digitais na educação básica: reflexões, anseios e distâncias pela formação docente. Revista de Educação Pública, Cuiabá, v. 31, p. 1-12, jan./dez. 2022. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2238-20972022000100125. Acesso: 25 jan. 2026.
CELLARD, André. Análise Documental. In: POUPART, J. et al. (orgs.) A pesquisa qualitativa: enfoques epistemológicos e metodológicos. Petrópolis: Vozes, 2008. p. 295-316.
DAGNINO, Renato. Neutralidade da ciência e determinismo tecnológico: um debate sobre a tecnociência. Campinas: Editora da Unicamp, 2008. 282 p.
DAGNINO, Renato. Tecnologia social: contribuições conceituais e metodológicas. Campina Grande: EDUEPB. 2014.
DAGNINO, Renato. Como é a universidade de que o Brasil precisa? Avaliação, Campinas; Sorocaba, v. 20, n. 2, p. 293-333, jul. 2015.
DAGNINO, Renato. Tecnociência solidária: um manual estratégico. Marília: Lutas Anticapital, 2019. 161 p.
DURHAM, Eunice Ribeiro. O ensino superior no Brasil: público e privado. São Paulo: USP, 2003. (Documento de Trabalho, n. 3/03). Disponível em:
https://sites.usp.br/nupps/wp-content/uploads/sites/762/2020/12/dt0303.pdf. Acesso: 30 jan. 2026.
FEENBERG, Andrew. Transforming technology: a critical theory revisited. New York: Oxford University Press, 2002.
FEENBERG, Andrew. Teoria crítica da tecnologia. Piracicaba: Unimep, 2004. Texto original "Critical theory of technology". Tradução da Equipe de Tradutores do Colóquio Internacional "Teoria Crítica e Educação".
GALIAZZI, Maria do Carmo; LIMA, Valderez Marina de Rosário; RAMOS, Maurivan Güntzel. Fusão de horizontes na análise textual discursiva. Revista Pesquisa Qualitativa, São Paulo, v.8, n.19, p. 610-640, dez. 2020. https://editora.sepq.org.br/rpq/article/view/371. Acesso: 30 jan. 2026.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
KENSKI, Vani Moreira. Cultura digital. In: MILL, D. (org.). Dicionário crítico de educação e tecnologias e de educação a distância. Campinas: Papirus, 2018. p. 139-144.
KENSKI, Vani Moreira. Educação e tecnologias o novo ritmo da informação. 8. ed. Campinas: Papirus, 2012.
KENSKI, Vani Moreira. Educação e tecnologias o novo ritmo da informação. 3 ed. Campinas: Papirus, 2008.
LIMA, José Ossian Gadelha de Lima; LEITE, Luciana Rodrigues. Historicidade dos cursos de licenciatura no Brasil e sua repercussão na formação do professor de química. REnCiMa, São Paulo, v. 9, n. 3, p. 143-162, 2018. Disponível em: https://revistapos.cruzeirodosul.edu.br/rencima/article/view/1483. Acesso: 25 jan. 2026.
MESQUITA, Nyuara; SOARES, Marlon. Aspectos históricos dos cursos de licenciatura em química no Brasil nas décadas de 1930 a 1980. Química Nova, São Paulo, v. 34, n. 1, p. 165-174, fev. 2011. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0100-40422011000100031. Acesso: 25 jan. 2026.
MORAES, Roque; GALIAZZI, Maria do Carmo. Análise textual discursiva. 3. ed. Ijuí: Editora Unijuí, 2020.
NEVES, Clarissa Eckert Baeta; MARTINS, Carlos Benedito. Ensino superior no Brasil: uma visão abrangente. DWYER, T. (org.). Jovens universitários em um mundo em transformação: uma pesquisa sino-brasileira. Brasília, DF: Ipea; Pequim: SSAP, 2016. p. 95-124.
OLIVEIRA, Maria Marly. Como fazer pesquisa qualitativa. 7. ed. Petrópolis, Vozes, 2016.
PINHEIRO, Weider Silva; VALENTE, Evelyn Aida Tonioli. Formação docente e tecnologias digitais: reflexões sobre a prática pedagógica na educação básica. Revista ARACÊ, São José dos Pinhais, v.6, n.1, p. 189-204, 2024. Disponível em: https://www.semanticscholar.org/paper/FORMAÇÃO-DOCENTE-E-TECNOLOGIAS-DIGITAIS%3A-REFLEXÕES-Pinheiro-Valente/516e4f9cf2038cd24c393d205425c53e2cb1e40e. Acesso em: 26 jan. 2026.
PPC. Projeto pedagógico do Curso Superior de Licenciatura em Física. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, 2019. Disponível: https://www1.ufrb.edu.br/fisica/noticias/63-projeto-politico-pedagogico-do-curso-2020. Acesso em: 26 jul. 2023.
PPC 1. Projeto pedagógico do Curso Superior de Licenciatura em Química. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, 2019. Disponível: https://ufrb.edu.br/cfp/images/CFP/documentos/PPC_QUIMICA_FINAL_2019_CORRIGIDA.pdf. Acesso em: 26 jul. 2023.
RESENDE, Marilene Ribeiro. Saber científico – conhecimento específico – saber escolar e a formação de professores. Periódico do Mestrado em Educação da UCDB, Campo Grande, n. 24, p. 35-53, jul./dez. 2007. (Série-Estudos).
ROSO, Caetano Castro. Transformações na educação CTS: a partir do conceito de tecnologia social. 2017. Tese (Doutorado em Educação Científica e Tecnológica) – Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2017.
SANTOS, Daniel de Jesus Melo. O uso do software Modellus no Ensino de Física para Jovens e Adultos. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática) – Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Formação de Professores da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié, 2017.
SALES, Mary Valda Souza; KENSKI, Vani Moreira. Sentidos da inovação em suas relações com a Educação e as tecnologias. Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade, São Paulo, v. 30, n. 64, p. 19-35, 2021. Disponível em: https://www.revistas.uneb.br/index.php/faeeba/article/view/12852. Acesso: 27 jan. 2026.
SANTOS, Claudio Wilson; MORORÓ, Leila Pio. O desenvolvimento das licenciaturas no Brasil: dilemas, perspectivas e política de formação docente. Rev. HISTEDBR On-line, Campinas, v.19, p. 1-19, mar. 2019. Disponível em: https://scholar.google.com/citations?view_op=view_citation&hl=pt-BR&user=p8TqVCMAAAAJ&citation_for_view=p8TqVCMAAAAJ:9yKSN-GCB0IC. Acesso: 25 jan. 2026.
SAVIANI, Dermeval. Formação de professores: aspectos históricos e teóricos do problema no contexto brasileiro. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 14, n. 40, p. 143-155, jan./abr. 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/45rkkPghMMjMv3DBX3mTBHm/?format=pdf&lang=pt. Acesso: 30 jan. 2026.
TARDIF, Maurice; GAUTHIER, Clermont. O saber profissional dos professores – fundamentos e epistemologia. In: SEMINÁRIO DE PESQUISA SOBRE O SABER DOCENTE, 1996, Fortaleza. Anais [...]. Fortaleza: UFCE, 1996. p. 11-20.
TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. 4. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2010.
TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. 17. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Linhas

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Os artigos publicados pela revista são de uso gratuito, destinados a aplicações educacionais e não comerciais. Os direitos autorais são todos cedidos à revista. Os artigos cujos autores são identificados representam a expressão do ponto de vista de seus autores e não a posição oficial da Revista Linhas ou do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina.

A Revista Linhas está licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.