A autoestima piauiense, os usos políticos e as repercussões na memória

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DOI:

https://doi.org/10.5965/2175180313332021e0210

Resumo

O presente texto discute em que medida os meios de representação produzidos pelo e sobre o governo de Alberto Silva, em sua primeira gestão como governador do estado do Piauí (1971-1975), contribuíram para difundir a crença sobre este governo ser o principal responsável pela construção da autoestima piauiense, e por conseguinte, pela formação da identidade piauiense. O texto visa a discutir como esses discursos repercutiram na memória e na história da comunidade local a ponto de se irradiarem até entre os adversários políticos do referido administrador. Defendemos que esse projeto de construção de um ideal otimista não estava restrito ao Piauí, e que tampouco ocorreu de forma isolada e inusitada, como fruto da decisão de um só homem, pois estava articulado à configuração histórica vigente no país. Para tanto, recorremos aos conceitos de identidade – a partir das contribuições formuladas por Stuart Hall e por Zygmunt Bauman; memória – a partir dos estudos realizados por Paul Ricœur e por Michel de Certeau –; e de representação, nas discussões de Roger Chartier. A partir da crítica documental e da metodologia da História Oral, analisamos os documentos oficiais, matérias jornalísticas publicadas em veículos midiáticos impressos de circulação nacional e em televisivos locais, que abordaram esse tema, durante e após o término de seu governo, além de relatos do próprio governador, de seus aliados e de seus adversários políticos, visando a entender como essas construções discursivas influenciaram a história e a memória piauiense.

Palavras-chave: História; política; identidade; memória.

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Biografia do Autor

Cláudia Cristina da Silva Fontineles, Universidade Federal do Piauí (UFPI)

Professora Associada do Curso de História e do Programa de Pós-Graduação em História do Brasil da Univeridade Federal do Piauí (Mestrado e Doutorado) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Políticas. 

Doutora em História do Norte e Nordeste do Brasil (UFPE). Mestra em Educação (UFPI), Especialista em História Sociocultural (UFPI) e História Política (UESPI). Graduação em História (UESPI) e Direito (UESPI).

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Publicado

2021-08-31

Como Citar

FONTINELES, C. C. da S. A autoestima piauiense, os usos políticos e as repercussões na memória. Revista Tempo e Argumento, Florianópolis, v. 13, n. 33, p. e0210, 2021. DOI: 10.5965/2175180313332021e0210. Disponível em: https://www.revistas.udesc.br/index.php/tempo/article/view/2175180313332021e0210. Acesso em: 26 out. 2021.