Biopolítica como categoria analítica dos eventos políticos contemporâneos: nas trilhas de Esposito e Nietzsche

Autores

  • Angela Couto Machado Fonseca Universidade Federal do Paraná
  • Ildenilson Meireles Universidade Estadual de Montes Claros

DOI:

https://doi.org/10.5965/2175180311262019530

Resumo

A discussão aqui proposta parte da leitura da biopolítica como marcador conceitual capaz de pensar de forma mais adequada as expressões da política contemporânea. A partir dessa localização, passamos à exposição do Paradigma Imunitário pensado por Roberto Esposito como dispositivo conceitual central da biopolítica. Ao fazer uso de uma metodologia analítica pretendemos colocar os conteúdos da noção de communitas e immunitas, para compreender os motivos que levam Roberto Esposito a afirmar que essa relação responde pelo próprio ciclo da biopolítica e justifica sua tomada protetiva ou letal da vida e os mecanismos de hierarquização de formas de vida. Após analisar os sentidos de comunidade, imunidade e biopolítica, passamos a investigar o que leva Esposito a entender que Nietzsche teria sido o autor que melhor compreendeu a lógica imunitária da modernidade. O presente trabalho tem a intenção de mostrar que o pensamento de Esposito e sua interpretação de Nietzsche, colocam várias das questões hoje em pauta. As tomadas da vida pelo poder, os critérios de seleção e exclusão de certas formas de vida e a disputa sobre a legislação do que vem a ser o humano cuja vida vale viver. Todas essas questões são aqui retomadas como presentes em Esposito e existentes de modo subjacente em Nietzsche.

Palavras-chave: Paradigma Imunitário. Biopolítica. Vida. Poder.

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Biografia do Autor

Angela Couto Machado Fonseca, Universidade Federal do Paraná

Professora Doutora do Departamento de Direito Privado da UFPR, bacharel em Filosofia, Bacharel em Direito, Mestre em Filosofia Moderna e Contemporânea pela UFPR, Doutora em Filosofia do Direito pela UFPR, com período de bolsa sanduíche na EHESS/Paris. Aperfeiçoamento em Epistemologia pela Università degli Studi di Firenze.

Ildenilson Meireles, Universidade Estadual de Montes Claros

Professor da graduação e da pós-graduação da Unimontes, Doutor em Filosofia pela UFSCAR, Mestre em Filosofia pela UFPR, Graduado em Filosofia pela Unimontes.

Referências

CAMPBELL, Timothy. Política, imunidade, vida: o pensamento de Roberto Espositono debate contemporâneo. In: ESPOSITO, Roberto. Termos da Política:Comunidade, Imunidade, Biopolítica. Tradução: Luiz Ernani Fritoli, Angela CoutoMachado Fonseca, João Paulo Arrosi, Ricardo Marcelo Fonseca Curitiba: EditoraUFPR, 2017._____________. Bíos: biopolítica e filosofia. Tradução de M. Freitas da Costa.Lisboa: Edições 70, 2010._____________. Termos da Política: Comunidade, Imunidade, Biopolítica.Tradução: Luiz Ernani Fritoli, Angela Couto Machado Fonseca, João Paulo Arrosi,Ricardo Marcelo Fonseca. Curitiba: Editora UFPR, 2017.____________. Communitas: origine e destino dela comunità. Torino: EinaudiEditori, 2006.FOUCAULT, Michel. A história da sexualidade 1: a vontade de saber. Tradução deMaria Thereza da Costa Albuquerque e J. A. Guilhon Albuquerque. Rio de Janeiro:Edições Graal, 1988.________________. Em defesa da sociedade: curso no Collège de France (1975-1976). Tradução de Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 1999.NIETZSCHE, Friedrich W. Assim falou Zaratustra: um livro para todos e paraninguém. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. _______________. Crepúsculo dos Ídolos. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. _______________. Genealogia da Moral: uma polêmica. São Paulo: Companhia dasLetras, 1998.

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Publicado

2019-04-15

Como Citar

FONSECA, A. C. M.; MEIRELES, I. Biopolítica como categoria analítica dos eventos políticos contemporâneos: nas trilhas de Esposito e Nietzsche. Revista Tempo e Argumento, Florianópolis, v. 11, n. 26, p. 530 - 547, 2019. DOI: 10.5965/2175180311262019530. Disponível em: https://www.revistas.udesc.br/index.php/tempo/article/view/2175180311262019530. Acesso em: 1 dez. 2022.