Pensar a plasticidade na composição musical: esculpindo tempo, modelando escutas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/2525530405012020293

Palavras-chave:

Composição musical, gesto, problema composicional, tempo

Resumo

Este artigo trata de alguns problemas composicionais musicais que têm insistido em atuar na prática composicional do autor e que se destacam devido aos seus modos de funcionamento no escoar contínuo de um fluxo temporal. Os problemas abordados foram levantados a partir de observações e reflexões de um pesquisador acerca de sua própria prática como compositor, mas não deixaram de ser trabalhados e verificados em variados contextos e situações que apontam para singulares modos de resolução dos problemas. Assim, através da análise de peças de diferentes compositores em contraponto com as composições do próprio pesquisador, o artigo contribui para se pensar a abordagem de alguns problemas composicionais em função de transformações plásticas dos objetos e texturas musicais em suas relações com o tempo, tido tanto como escoamento de um fluxo quanto como acontecimento.

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Biografia do Autor

Gustavo Rodrigues Penha, UFMS

Graduou-se em composição musical na FASM (Faculdade Santa Marcelina) onde estudou com Sergio Kafejian e Paulo Zuben. Concluiu o Mestrado em Música em 2010 e o Doutorado em Música em 2016, ambas pesquisas sob orientação de Silvio Ferraz e com bolsa FAPESP. Foi bolsista de três edições do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão onde assistiu aos cursos de Stefano Gervasoni e Claude Ledoux em 2009 e onde participou de masterclass com o Arditti Quartet em 2011. Atuou como produtor artístico e compositor no CD Ressonâncias, do grupo Sonâncias, e no CD Imaginário da pianista Lidia Bazarian, ambos lançados pelo Selo LAMI e apoiados Secretaria de Estado da Cultura de SP. Suas peças têm sido executadas em diferentes cidades e capitais brasileiras. Em 2012 uma de suas peças foi executada na cidade de Pavia, na Itália, quando de sua participação no III highSCORE Festival. Em 2013, outra de suas composições foi apresentada pelo The Riot Ensemble na sala LSO St. Luke's, em Londres. No mesmo ano concluiu o curso de teorba no Núcleo de Música Antiga da Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP), sob orientação de Guilherme de Camargo. Entre 2013 e 2014 realizou um estágio de pesquisa de doutorado no CICM da Université Paris 8, sob orientação de José Manuel Lopez Lopez, Anne Sedès e Alain Bonardi, oportunidade em que apresentou uma composição com o grupo Percussions de Strasbourg. Em 2014 recebeu o Prêmio Funarte de Composição Clássica, tendo participado da XXI Bienal de Música Brasileira Contemporânea de 2015. Enquanto teorbista e compositor, é integrante do Duo Amálgama junto à violoncelista Sandra Tornice. Em parte de 2016 e 2017, realizou pós-doutorado no Departamento de Música da ECA/USP, com bolsa PDJ do CNPq. É Professor Adjunto do Curso de Música - Licenciatura da UFMS, onde também atua como Coordenador de Curso.

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Publicado

2020-10-18

Como Citar

PENHA, G. R. Pensar a plasticidade na composição musical: esculpindo tempo, modelando escutas. Orfeu, Florianópolis, v. 5, n. 1, 2020. DOI: 10.5965/2525530405012020293. Disponível em: https://www.revistas.udesc.br/index.php/orfeu/article/view/17655. Acesso em: 31 jan. 2023.