Composição de interface com etnomusicologia: uma perspectiva materializada em 5 obras contemporâneas

Autores

  • Vinicius Borges Amaro Universidade Estadual de Feira de Santana

DOI:

https://doi.org/10.5965/2525530405012020463

Palavras-chave:

Composição, música de concerto contemporânea, candomblé, processos rítmicos, etnomusicologia

Resumo

Este trabalho apresenta discussões acerca do processo composicional de cinco obras compostas a partir de uma perspectiva de interface entre composição e etnomusicologia, centrada numa pesquisa cujo objetivo se estabelece como um estudo da música de candomblé ligado às noções compositivas impressas em seus processos rítmicos. Buscando um suporte em teorias do ritmo (COOPER; MEYER, 1960; KRAMER, 1988; HESTY, 1997), na literatura sobre música de candomblé e música africana (LÜHNING, 1990; KUBIK, 2010; BRANDA LACERDA, 2014; AGAWU, 2016), e por meio de um estudo etnográfico, cinco processos rítmicos foram identificados, conceitualizados e exemplificados: 1) ressignificação rítmica; 2) dissociação rítmica, 3) sintonização rítmica; 4) suspensão rítmica e 5) sublimação rítmica. Estes são problematizados na produção artística em questão, através de um impulso adaptativo relativo ao abrangente imaginário da música de concerto contemporânea, em suas dimensões temporais, texturais, gestuais e formais.

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Biografia do Autor

Vinicius Borges Amaro, Universidade Estadual de Feira de Santana

Professor de Composição e Estruturação Musical da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Bacharel, mestre e doutor em composição musical pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Como compositor, colaborou com grupos como OSUFBA (Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Bahia), Camará Ensemble, Abstrai Ensemble, Percantus, Janela Brasileira, Quarteto Radamés Gnattali, e junto a Grupo Quiáltera, com Pedro Lyra e Vitor Rios, atuou na direção e criação da trilha musical do espetáculo teatral infanto-juvenil A Gema do Ovo da Ema (2008), indicado ao Prêmio Brasken de Teatro (2008) como melhor espetáculo da categoria. Participou da composição musical feita para o documentário Nanook do Norte, que foi executada ao vivo pelo grupo Nanook Ensemble, na abertura do Primeiro Festival de Documentários de Cachoeira, em 2010, e no I Seminário Internacional Ouvir o Documentário (música, vozes e ruídos), em 2012, sob regência do maestro José Maurício Brandão. Teve três músicas anexadas ao Banco Digital Sesc Partituras em 2012 e 2013. Em 2014 foi selecionado como bolsista (composição) para participar do 45º Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão e foi contemplado com o Prêmio Lindembergue Cardoso de Composição. Em 2016, com a obra Ritual Ifá, venceu o Concurso para Jovens Compositores, realizado pela OSPA (Orquestra Sinfônica de Porto Alegre), e com a obra Mandinga Nº 4 (Besouro Mangangá), foi contemplado com o Prêmio Funarte de Composição Clássica. É membro da OCA — Oficina de Composição Agora —, regente e conselheiro artístico do Camará Ensemble.

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Publicado

2020-10-18

Como Citar

AMARO, V. B. Composição de interface com etnomusicologia: uma perspectiva materializada em 5 obras contemporâneas. Orfeu, Florianópolis, v. 5, n. 1, 2020. DOI: 10.5965/2525530405012020463. Disponível em: https://www.revistas.udesc.br/index.php/orfeu/article/view/17612. Acesso em: 31 jan. 2023.