Pernambuco “feminina”, mulher fêmea, sim! A mulher na mazurca do Alto do Moura: culturas, vivências e músicas

Autores

  • Marília Paula dos Santos A última foi a Universidade Federal da Paraíba - UFPB

DOI:

https://doi.org/10.5965/2525530405022020e0004

Resumo

A subordinação da mulher é um fenômeno universal, milenar, e é a primeira forma de opressão da humanidade (Ana COSTA; Cecília SARDENBERG, 2008). Trabalhos que abordam a relação entre mulher e música, ou música e gênero, ainda precisam emergir mais, embora perceba-se uma crescente no campo nos últimos
anos. Este artigo apresenta a presença das mulheres (como criadoras, performers, musas, mestras) na Mazurca Pé Quente do Alto do Moura, apontando para a importância dos contextos em que a música está inserida, assim como a relevância de trabalhos que falam sobre mulher no âmbito musical. Foram realizadas entrevistas, observações e conversas informais com as/os integrantes da mazurca. A maior parte
dos dados foi coletada para o “Inventário do Ofício dos Artesãos e Artesãs do Barro do Alto do Moura – Caruaru-PE”.

Biografia do Autor

Marília Paula dos Santos, A última foi a Universidade Federal da Paraíba - UFPB

Marília Santos é mestra em Música/Etnomusicologia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), graduada em Música pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) – com láurea acadêmica – e em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caruaru (FAFICA). Iniciou suas atividades musicais em uma ONG, em São Caitano (“da raposa”), agreste de Pernambuco. Na UFPE atuou na pesquisa sob orientação da professora Dr.ª Cristiane Galdino, sendo premiada. No mestrado, sob a orientação do professor Dr. Carlos Sandroni, desenvolveu uma pesquisa sobre os “Ecos Armoriais” na música. Integrou a equipe multidisciplinar de pesquisa do “Inventário do Ofício dos Artesãos e Artesãs do Barro do Alto do Moura – Caruaru-PE”, exercendo a função de pesquisadora/etnomusicóloga, sendo responsável por registrar expressões como mazurca, pífano, reisado, sanfona, poetas/isas, cantadores, bacamarte, emboladores, repentistas, compositores/as. Desenvolve trabalhos sobre gêneros/corpos/mulheres/feminismos, na pesquisa, em oficinas, em poesias. Também escreve poesias que dialogam com uma natureza nordestina. Durante a graduação em Música foi monitora, sob orientação do professor Dierson Torres, de Fundamentos da Construção Musical. Na mesma instituição teve aulas de composição com o professor Dr. Paulo Lima. Na performance atuou como clarinetista na Banda Sinfônica do Conservatório Pernambucano de Música, no grupo Bellas Marias, na Camerata da UFPE e em alguns grupos de câmara. Como corista chegou a participar da “Grande Missa Nordestina”, de Clóvis Pereira, da Nona Sinfonia, de Beethoven, junto com a Orquestra Sinfônica do Recife, e da estreia mundial de “Um Requiem Nordestino”, de Dierson Torres. Atuou como regente no Coro da Faculdade Frassinetti do Recife – FAFIRE, sendo cocriadora do mesmo. Atualmente é estudante de violoncelo.

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Publicado

2020-12-14

Como Citar

DOS SANTOS, M. P. Pernambuco “feminina”, mulher fêmea, sim! A mulher na mazurca do Alto do Moura: culturas, vivências e músicas. Orfeu, Florianópolis, v. 5, n. 2, 2020. DOI: 10.5965/2525530405022020e0004. Disponível em: https://www.revistas.udesc.br/index.php/orfeu/article/view/17188. Acesso em: 4 dez. 2021.