A modinha como fenômeno coletivo social sob uma perspectiva andradiana e sua análise poética

Autores

  • Pedro Razzante Vaccari Unesp Instituto de Artes

DOI:

https://doi.org/10.5965/2525530404012019082

Palavras-chave:

Mário de Andrade, tradição, cultura brasileira, coletivo, Modinha

Resumo

Este artigo tem por objeto principal a análise da modinha enquanto documentação musical para a busca de uma melhor compreensão da sociedade brasileira, com embasamento em Mário de Andrade. Propõe-se, além disso, traçar um paralelo entre essas manifestações do Brasil imperial e a música popular brasileira do século XX e da atualidade, procurando exemplos de compositores e intérpretes que mantiveram a tradição da modinha, de serestas e canções com funções coletivas sociais similares àquela, como o samba-canção da década de 1930. Dessa forma, os resultados foram alcançados por meio de análises de modinhas, relacionando-as com sua contextualização histórica, possibilitando uma sondagem dos grupos sociais que as produziram e a continuidade da tradição na posteridade. A análise poética de “Viola quebrada”, de Mário de Andrade, possibilitou situar e contextualizar o estudo sob o prisma etnomusicológico, onde o Brasil pôde ser visto como uma nação que foi apropriada pelos colonizadores, sem considerar suas idiossincrasias naturais, e como essa metáfora é colocada no poema em questão.

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Biografia do Autor

Pedro Razzante Vaccari, Unesp Instituto de Artes

Doutorando em Música pela Unesp. Bacharel em Música, com habilitação em Canto pela Unesp, sob orientação da Prof. Dra. Martha Herr. Desde dezembro de 2007 integra o Coral Paulistano do Teatro Municipal de São Paulo. Em 2012 gravou CD com canções de Ronaldo Miranda, com o pianista Eder Pessoa, sob a supervisão do próprio compositor. Teve publicados poemas pela Editora Chiado, de Lisboa, e Vivara, brasileira, em 4 antologias.

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Publicado

2019-09-11

Como Citar

VACCARI, P. R. A modinha como fenômeno coletivo social sob uma perspectiva andradiana e sua análise poética. Orfeu, Florianópolis, v. 4, n. 1, p. 82-100, 2019. DOI: 10.5965/2525530404012019082. Disponível em: https://www.revistas.udesc.br/index.php/orfeu/article/view/1059652525530404012019082. Acesso em: 5 fev. 2023.