O Planejamento Educacional Individualizado (pei) como estratégia para favorecer a elaboração conceitual em alunos com deficiência intelectual: o caso de Júlio

Autores

  • Tamara França de Almeida Magalhães Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
  • Roberta Pires Corrêa Universidade Federal Fluminense
  • Érica Costa Vliese Zichtl Campos Universidade Federal do Rio de Janeiro

Palavras-chave:

Deficiência Intelectual, Planejamento Educacional Individualizado, Elaboração Conceitual

Resumo

A implementação da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, em 2008, assegurou a inclusão escolar dos alunos público alvo da Educação Especial nos sistemas regulares de ensino. Atrelados a ela, outros dispositivos que regulamentam e orientam esta perspectiva foram instituídos, sobretudo aqueles que tratam do processo de escolarização destes estudantes. Ainda assim, a maioria dos currículos escolares apresentam uma estrutura rígida com pouco planejamento que atenda às especificidades dos alunos com deficiência intelectual (DI).  Mediante a isso, este estudo investiga o processo de elaboração conceitual destes estudantes tendo como referência o planejamento educacional individualizado (PEI). Tendo como lócus de pesquisa uma escola pública do município de Belford Roxo no estado do Rio de Janeiro, desenvolvemos uma pesquisa qualitativa com enfoque no estudo de caso que evidenciou algumas fragilidades de como vem sendo realizada a inclusão escolar dos estudantes com DI, assim como a importância do PEI neste processo.  Concluímos a partir de nossas análises que a transformação nas formas de ensino e nas relações entre o atendimento educacional especializado e a classe comum é urgente e necessária, pois são elas que favorecerão a elaboração conceitual a partir do pertencimento desses sujeitos em seus processos de escolarização

Biografia do Autor

Tamara França de Almeida Magalhães, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Mestre em Educação pelo do programa de Educação, Contextos Contemporâneos e Demandas Populares-PPGEDUC (Conceito CAPES 4) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro UFRRJ. Possui graduação em PEDAGOGIA pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ (2007) e graduação em LETRAS pela Universidade Estácio de Sá (2005). Atualmente é técnica em assuntos educacionais na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e professor na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Educação Especial, com ênfase em Educação

Roberta Pires Corrêa, Universidade Federal Fluminense

Professora do Ensino Fundamental na prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. Mestre em Diversidade e Inclusão pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Especialista em Educação Especial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO).Psicopedagoga pela Faculdade São Judas Tadeu. Especialista em História Antiga e Medieval pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) . Pedagoga pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) .Graduada em História pela Universidade Gama Filho (UGF). 

Érica Costa Vliese Zichtl Campos, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Mestre em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação, Contextos Contemporâneos e Demandas Populares (PPGEduc/UFRRJ). Participa do grupo de pesquisa Observatório de Educação Especial e inclusão educacional: políticas públicas e práticas curriculares, coordenado pela Profª Dra. Márcia Denise Pletsch. Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2005). Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia e no trabalho com Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva, com foco no ensino de alunos com deficiência intelectual. Pós-graduada em Orientação Educacional, atualmente trabalha como Orientadora Educacional da rede municipal de Nova Iguaçu e como professora de Atendimento Educacional Especializado (AEE), na rede municipal de Duque de Caxias, no atendimento a alunos com deficiências de uma escola do campo.

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Publicado

2018-10-01