Entre operar e performar: A operação como presença e mediação na cena expandida
DOI:
https://doi.org/10.5965/27644669061120260207Resumo
Este artigo investiga a presença da câmera e de sua operadora como agentes constitutivos da dramaturgia na cena expandida, tensionando as fronteiras entre operar e performar no campo das artes cênicas. Parte-se da hipótese de que a técnica, historicamente compreendida como suporte, sempre atuou como instância criadora, ainda que frequentemente invisibilizada. Analisa-se, assim, como sua explicitação em cena evidencia e desestabiliza hierarquias e categorias consolidadas.
Como estudo de caso, examina-se o espetáculo destrua após o uso (2024), no qual a operadora de câmera permanece em cena durante toda a ação, acompanhando as atrizes como uma presença contínua que observa, registra e constrói, em tempo real, a imagem projetada. Em momentos específicos, sua atuação desloca-se da mediação para a intervenção direta, produzindo reconfigurações nas relações cênicas e evidenciando uma zona híbrida em que observar, operar e intervir tornam-se indissociáveis.
O artigo dialoga ainda com trabalhos contemporâneos, como Matéria Escura e Eu não sou só eu em mim, do Cena 11 Cia. de Dança, destacando diferentes regimes de presença da mediação tecnológica. Argumenta-se que a dificuldade em classificar tais funções não constitui um impasse terminológico, mas um sintoma das hierarquias que estruturam o fazer cênico, nas quais direção e atuação são historicamente privilegiadas em relação às funções técnicas.
Por fim, o estudo ancora-se também na discussão emergida durante a arguição do TCC que teve como base o espetáculo, propondo compreender a operação como presença ativa na produção de sentido cênico.
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Referências
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