As vozes da letra na fonosfera grega: um estudo sobre os cantares da Antiguidade

Tiago Eric Abreu

Resumo


A historiografia da Antiguidade grega
apresenta música e linguagem intimamente
associadas. As fórmulas métricas
pressupõem artifícios mnemônicos e indicam
a preponderância da dimensão aural
das performances sobre a escrita. Haveria
características intrínsecas da língua grega
que amoldariam as possibilidades melódicas?
Ao ser colocada a questão do elo
música-palavra, a seguinte rede temática
será evidenciada: como se forma a ressonância
melódico-textual? De que modo
se dá, no canto, a convergência de elementos
rítmico-melódicos, semânticos e
performáticos? Ora propomos um estudo
do elo canto-palavra desde os vestígios
de canções gregas notadas com a escrita
musical antiga. A problematização das relações
entre o ritmo musical, a melodia e a
métrica poética põe à mostra possíveis características
das inflexões vocálicas como
arquétipos específicos de performances e
composições. Pela perspectiva da filosofia
humanista da música (LIPPMAN, 2006),
entende-se a vocalidade grega como um
rito. A partir desse prisma, é possível interpretar
as práticas composicionais e os
vestígios de performances nas canções,
considerando os valores antrópicos – mitopoéticos
e catárticos – que se expressam
nos gêneros lítero-musicais.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5965/2525530404012019184

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