Merleau-Ponty e Cézanne restituição da natureza primordial

Amauri Carboni Bitencourt

Resumo


O propósito deste artigo é mostrar que a pintura do francês Paul Cézanne possibilitou a Merleau-Ponty uma maneira de ver o mundo em sua origem: um lugar ambíguo, reversível. Ao expressar a natureza na tela, o pintor realizava aquilo que o filósofo queria fazer na filosofia: a reconstituição do mundo como sentido de ser absolutamente diferente do “representado”, a saber, como ser vertical que nenhuma das “representações” esgota e que todas “atingem”, o “Ser selvagem”. É em Cézanne que Merleau-Ponty encontra a crença no mundo da percepção, mundo onde há uma reversibilidade do visível e do invisível, a partir da qual a pintura acontece. Este trabalho trata, pois, da investigação merleau-pontyana das teorias e obras de Cézanne: a concepção de representar os objetos em perspectiva e a busca por cores adequadas e pelo contorno que expressa a profundidade do mundo vivido. Com um olho em Cézanne e outro no mundo da vida, Merleau -Ponty elabora uma teoria onde mostra a origem do sentido e nos faz perceber o “mundo primordial”.


Palavras-chave


ser selvagem; mundo primordial; pintura francesa; cézanne; Paul; 1839-1906

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DOI: https://doi.org/10.5965/1808312905072010174



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