Do Estado incendiário à culpa do canudinho: uma genealogia da governamentalidade climática na Amazôniamazônia.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/

Palavras-chave:

história do Tempo Presente, governamentalidade, Amazônia, código florestal, política climática

Resumo

Este artigo empreende uma análise genealógica da política climática e territorial na Amazônia, investigando como a racionalidade de gestão da floresta transitou do paradigma da soberania militar para a governamentalidade neoliberal. Utilizando o referencial teórico de Michel Foucault e a crítica decolonial de Ailton Krenak, o texto percorre três momentos históricos: o "Estado Incendiário" da Ditadura Militar (1970-1988), que utilizava o fogo como ferramenta de integração; a emergência da "Amazônia Sustentável" na Rio-92 e no Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7), que introduziu a lógica da rentabilidade da floresta; e a fase atual de financeirização, marcada pela internalização dos mecanismos de mercado do Protocolo de Kyoto no Novo Código Florestal (2012). Argumenta-se que instrumentos como a Cota de Reserva Ambiental (CRA) operam a "porosidade da lei", gerindo os atos de agressão ao ambiente em vez de eliminá-los. Por fim, discute-se como a culpabilização do indivíduo funciona como tecnologia de subjetivação para ocultar a responsabilidade estrutural da ordem econômica, estendendo a análise, com marco final em 2024, ao contexto das Conferências das Partes (COPs) pós-2015 e à consolidação da política do canudinho. A partir de uma abordagem genealógica, o artigo analisa tratados internacionais sobre clima (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima — UNFCCC, do inglês United Nations Framework Convention on Climate Change —, Protocolo de Quioto e Acordo de Paris), a legislação ambiental brasileira — em especial o Código Florestal —, relatórios técnicos, materiais de educação ambiental e documentos de comunicação corporativa voltados à sustentabilidade.

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Biografia do Autor

  • Andrea Borelli, Escola Superior de Advocacia da OAB

    Doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Coordenadora Acadêmica da Escola Superior de Advocacia da OAB -SP.

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Publicado

22-09-2026

Como Citar

Do Estado incendiário à culpa do canudinho: uma genealogia da governamentalidade climática na Amazôniamazônia. Revista Tempo e Argumento, v. 18, n. 47, p. e0104, 22 set.2026.