27
Procedimentos metodológicos
O presente estudo se classifica como quantitativo, pois utilizou de técnicas estatísticas
para analisar as relações entre as variáveis estabelecidas (Raupp & Beuren, 2003; Richardson,
2012). Quanto à finalidade, é um estudo aplicado, que tem interesse na utilização e nas
consequências práticas do conhecimento (Gil, 2002). Sobre o objetivo, considera-se uma
pesquisa descritiva, pois busca descrever “características de determinada população ou
fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis” (Gil, 2002, p. 44), uma vez que
analisa a percepção dos discentes de Contabilidade quanto ao uso de estratégias autorreguladas,
à qualidade de vida e à motivação, assim como a relação entre esses fatores.
A pesquisa foi aplicada aos estudantes de Ciências Contábeis de duas universidades
privadas, de pequeno porte, do município de Maringá (PR), e duas universidades públicas
estaduais, localizadas em Paranavaí (PR) e em Campo Mourão (PR). Essas universidades
contam com alunos que estão matriculados no ensino presencial e, no momento de coleta de
dados – entre os meses de julho e agosto de 2020 –, estavam realizando suas atividades no
formato ERE. As universidades privadas e públicas somam cerca de 80 e 620 alunos
matriculados no curso de Ciências Contábeis, respectivamente. Assim, totaliza-se uma
população de aproximadamente 700 estudantes, sendo que, para a amostra ser significativa,
com erro amostral de 5% e nível de confiança de 95%, seria necessário obter respostas de pelo
menos 183 estudantes.
Para a coleta de dados, foi utilizado um questionário com questões fechadas com
respostas em escala intervalar de 11 pontos (0 a 10). Esse tipo de questão “facilita a
interpretação por parte do pesquisado, visto que, em geral, as pessoas são familiarizadas com
esta referência” (Santos Junior & Costa, 2014, p. 7). O questionário foi aplicado a discentes do
curso superior de Ciências Contábeis com o intuito de identificar a percepção desse grupo
quanto ao seu nível de motivação para estudar no período de vigência do ERE. O questionário
continha 28 questões no total, sendo 11 sobre autorregulação da aprendizagem, baseadas nos
estudos de Zimmerman e Pons (1986) e Lima Filho et al. (2015), oito sobre qualidade de vida,
com base no estudo de Tarbone et al. (2018), e nove de caracterização do respondente. O
questionário foi elaborado e enviado – diretamente para o e-mail dos estudantes (no caso de
uma das universidades públicas) ou para o coordenador do curso, que encaminhou para os
estudantes (o que ocorreu nas duas universidades privadas e em uma das universidades
públicas) – por meio da plataforma Google Forms aos discentes. Foram obtidas 217 respostas
válidas. Ressalta-se que, anteriormente à aplicação do questionário, foi realizado um pré-teste
com oito indivíduos, entre alunos e professores da área, a fim de verificar a adequação e
consistência do questionário.
Por fim, os dados foram analisados por meio de estatísticas descritivas e correlações,
com apoio dos softwares Excel e IBM-SPSS.
Análise e discussão dos resultados
O presente estudo contou com uma amostra de 217 respostas válidas. Desse total, 22,1%
estão no primeiro ano do curso, 25,8% no segundo ano, 25,8% no terceiro ano e 26,3% no
quarto ano. Quanto ao gênero, 59,4% dos acadêmicos se identificam com o feminino e 40,6%
com o masculino. A idade dos estudantes variou entre 17 e 41 anos, sendo que 54% tinham até
27 anos.
Quanto à ocupação profissional, 22,2% apontaram não estar trabalhando nem
estagiando no momento; os demais, 77,8%, trabalham ou fazem estágios, sendo que, desses,