
Florianópolis, v. 8, n. 1, e4747, p. 1 - 19 , Fev. - Mai. 2024
completa incapacidade de ser ou constituir-se como o Outro, percebendo nas
diferenças a sua principal e mais extraordinária característica
. Pelo contrário,
diferenças de todas as naturezas forneceram ao longo da história argumentos
para a violência, a submissão e a supressão dos outros.
Se, na prática, a Humanidade não conseguiu desenvolver a noção
essencial de alteridade, como podemos pensar, por mais otimistas que
possamos ser, sequer em Sustentabilidade Cultural? O que diríamos então de
Sustentabilidade Natural e Econômica (D’ Ambrosio, 2011, p. 12), uma vez que
os recursos naturais tornaram-se e continuam a ser encarados como importantes
Commodities para a manutenção de um sistema marcado pela desigualdade de
acesso aos recursos materiais e, por consequência, simbólicos e culturais.
O conceito de sustentabilidade já nasce em crise porque seus
pressupostos básicos põem em xeque as próprias engrenagens do sistema
No texto “O Corpo, a cor e a alteridade”, item de minha tese de doutorado (UNESP, 2015), também
publicado no site Geledés - Instituto da mulher negra (2016), eu tratei do conceito de alteridade a partir da
leitura, análise intepretação de obras de arte. Livro que me foi fundamental nessa publicação e que
menciona a ideia de uma alteridade domesticada é “O corpo como objeto de Arte”, de Henri-Pierre Jeudy,
especificamente a seguinte passagem: “O idealismo democrático, em sua perspectiva universal, impõe um
igualitarismo baseado na reprodução do igual, sobre uma identidade da representação dos corpos. Não se
trata de opor a essa regra ética da igualdade entre os homens o ponto de vista racista, que prega a
desigualdade das raças, atribuindo-lhe uma origem genética, mas é preciso admitir que o igualitarismo
acusa aquele que sente a menor diferença na percepção do corpo do Outro. Respeitar o outro é, segundo
uma tal regra, considerá-lo igual a mim. [...] A luta contra o racismo baseia-se em um princípio ético
falacioso, que consiste em me obrigar a crer que o Outro é semelhante a mim. (2002, p. 105)