Brakhage & Leiter: câmeras e cores na cidade
DOI:
https://doi.org/10.5965/Palavras-chave:
cinema, Fotografia, câmera, urbanismoResumo
Neste ensaio, proponho uma contextualização da progressiva presença e democratização das câmeras a partir do desenvolvimento histórico da fotografia. Em seguida, teço comentários sobre Early Color, o livro do fotógrafo Saul Leiter e The Wonder Ring, o filme do cineasta Stan Brakhage, refletindo sobre o que se acontece quando temos uma câmera nas mãos e, diante de nós, a rua, a cidade e o outro. Busco situar essas realizações em seus contextos técnico, artístico e histórico, dedicando especial atenção à cidade de Nova Iorque nos anos 1950. O tempo surge como questão central de suas poéticas, sendo aqui pensado tanto a partir de sua inscrição nas imagens quanto dos procedimentos que orientam suas práticas: dois artistas em deslocamento pela cidade, munidos de seus negativos coloridos, um com a câmera de 16mm, o outro com sua pequena 35mm. A partir da análise dos trabalhos, de textos e depoimentos dos próprios artistas, proponho uma reflexão sobre diferentes modos de concepção da obra de arte, distinguindo entre aqueles que a projetam previamente e aqueles que se deixam conduzir pelo desenho, pelo acaso e pela intuição. Por fim, o texto sugere aproximações formais entre os trabalhos do fotógrafo e do cineasta e as pinturas do artista conterrâneo e contemporâneo Mark Rothko.
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